O efeito do PSA sobre o risco de suicidio de homens diagnosticados com câncer da próstata
fevereiro 7, 2010
Thomas H. Maugh II, escrevendo para o LA Times, relata pesquisa que mostra uma redução na taxa de suicídios dos homens recém-diagnosticados com câncer da próstata. O uso do PSA aumentou o número dos pacientes diagnosticados cedo e, também, dos diagnosticados com cânceres não agressivos. Creio que uma percentagem mais alta dos que tinham cânceres agressivos, medidos pelo escore Gleason, passaram a ser descobertos mais cedo, oferecendo bons prognósticos. Depois do PSA (cujo uso generalizado começou em 1993) o risco de suicídio baixou muito nos Estados Unidos: era 90% mais alto do que em população equivalente, nos primeiros três meses, e 30% mais alto no primeiro ano, mas após o PSA as taxas se aproximaram muito das taxas de homens normais, sem câncer. O diagnóstico de câncer é uma pancada nas pessoas e os resultados se fazem sentir não apenas nos suicídios: o risco de morrer de um ataque cardíaco dobrava no primeiro mês! Depois, baixava muito e, no primeiro ano, o aumento no risco passou a ser de 9%. Muitos argumentam que a melhoria de parte da população de pacientes se deve a medidas tomadas em função do próprio diagnóstico, como parar de fumar que, já sabemos, reduz rapidamente as taxas de mortes por problemas cardio-vasculares.
A cultura conta: os mesmos autores mostram que, na Suécia, o diagnóstico de câncer da próstata aumenta o risco de suicídio em 20% e permanece 20% mais alto.
Outras variáveis contam. Amy Munday informa que o risco de suicídio é menor entre casados do que entre solteiros; os que buscam apoio psicológico e emocional reduzem o risco de suicídio. Essa autora afirma que o estresse e o risco adicional trazido pelo tratamento hormonal são parcialmente responsáveis pela morte, por problemas cardio-vasculares, de quase sete mil homens de 343 mil que foram testados
Essa pesquisa foi publicada no Journal of the National Cancer Institute.

A insonia feminina é um problema sério
fevereiro 5, 2010
Muitas pessoas, inclusive as mulheres, concedem baixa prioridade ao sono. Muita coisa é definida como mais importante – o trabalho, os filhos, a limpeza da casa etc. O sono e o descanso adequados têm baixa prioridade.
Além dessas escolhas, há causas organicas: os ciclos menstruais afetam o sono e agravam a insonia. Nada menos de 70% das mulheres reclamam de insonia durante a menstruação. Parte disso deriva da alta percentagem de mulheres que se sentem “inchadas”.
Perto da menopausa surgem novos problemas. E poucas sabem o que fazer quando eles aparecem. Há muito achismo, muito chute.
Quem dorme menos? Mulheres solteiras que trabalham. E, segundo pesquisa recente, isso deixa as mulheres cansadas – pelo menos uma a duas vezes por semana.
Por que dormimos pouco?
O tempo é competitivo. O tempo que se coloca numa atvidade se tira de outra. Muitas mulheres sacrificam horas de necessário sono com conversas intermináveis e circulares com amigos e parentes. Todos necessitamos de falar e ter amizades, mas não nos devemos nos sobrecarregar tanto com essas atividades que tenhamos que sacrificar o sono.
Dormir bem dá certo.As pessoas têm uma agradável sensação de descanso e de energia.
Donas de casa estão em situação ligeiramente melhor, mas longe de estarem bem. Três em quatro apresentam sintomas de insonia. Os filhos e os afazeres da casa contribuem para isso. Muitas mães dão tanta prioridade aos filhos que se esquecem da própria saúde. Todos acabam pagando por isso.
Há coisas que devemos fazer para dormir bem – inclusive descansar, exercitar e transar. As pessoas devem reservar tempo para tudo isso, tempo para elas mesmas.
Uma das grandes causas da pobreza do sono é o ronco – o seu ronco ou o do seu companheiro(a)/ Ronco é doença, apnéia, e pode ser tratado e curado, mas requer disposição e decisão. Chute e conselho de amigas usualmente não dão certo.
Um especialista, James Maas, nos ensina que há 88 tipos de insonia, cada um com seus remédios e tratamentos. O que funciona com um tipo pode não funcionar com outro. Especialistas (e não clínicos gerais) têm muito a oferecer, mas são poucos em nossos países.
Tem problemas nessa área? Consulte um. Vale a pena!
Enão se esqueça de algumas causas comuns, começando pelo estresse. O lugar para pensar a respeito dos problemas e lidar com o estresse NÃO é a cama.
Café e bebidas alcoólicas devem parar algumas horas antes de dormir.
A luz faz diferença: escuro, por favor. Escuridão mesmo. Apague essa luz.
Caminha quente? Nada disso. Temperatura normal, até com um pouquinho de frio.
Cama grande e confortável, nada de cama estreita.
O travesseiro é indispensável. Pesquise e encontre um que vai bem com você., Trabalho, laptop, computador? Longe do quarto, por favor.
Não se esqueça que a música tranquila e sons agradáveis ajudam. Esqueça os bate-estacas/.
E durma melhor hoje à noite!

A insonia feminina é um problema sério
fevereiro 5, 2010
Muitas pessoas, inclusive as mulheres, concedem baixa prioridade ao sono. Muita coisa é definida como mais importante – o trabalho, os filhos, a limpeza da casa etc. O sono e o descanso adequados têm baixa prioridade.
Além dessas escolhas, há causas organicas: os ciclos menstruais afetam o sono e agravam a insonia. Nada menos de 70% das mulheres reclamam de insonia durante a menstruação. Parte disso deriva da alta percentagem de mulheres que se sentem “inchadas”.
Perto da menopausa surgem novos problemas. E poucas sabem o que fazer quando eles aparecem. Há muito achismo, muito chute.
Quem dorme menos? Mulheres solteiras que trabalham. E, segundo pesquisa recente, isso deixa as mulheres cansadas – pelo menos uma a duas vezes por semana.
Por que dormimos pouco?
O tempo é competitivo. O tempo que se coloca numa atvidade se tira de outra. Muitas mulheres sacrificam horas de necessário sono com conversas intermináveis e circulares com amigos e parentes. Todos necessitamos de falar e ter amizades, mas não nos devemos nos sobrecarregar tanto com essas atividades que tenhamos que sacrificar o sono.
Dormir bem dá certo.As pessoas têm uma agradável sensação de descanso e de energia.
Donas de casa estão em situação ligeiramente melhor, mas longe de estarem bem. Três em quatro apresentam sintomas de insonia. Os filhos e os afazeres da casa contribuem para isso. Muitas mães dão tanta prioridade aos filhos que se esquecem da própria saúde. Todos acabam pagando por isso.
Há coisas que devemos fazer para dormir bem – inclusive descansar, exercitar e transar. As pessoas devem reservar tempo para tudo isso, tempo para elas mesmas.
Uma das grandes causas da pobreza do sono é o ronco – o seu ronco ou o do seu companheiro(a)/ Ronco é doença, apnéia, e pode ser tratado e curado, mas requer disposição e decisão. Chute e conselho de amigas usualmente não dão certo.
Um especialista, James Maas, nos ensina que há 88 tipos de insonia, cada um com seus remédios e tratamentos. O que funciona com um tipo pode não funcionar com outro. Especialistas (e não clínicos gerais) têm muito a oferecer, mas são poucos em nossos países.
Tem problemas nessa área? Consulte um. Vale a pena!
Enão se esqueça de algumas causas comuns, começando pelo estresse. O lugar para pensar a respeito dos problemas e lidar com o estresse NÃO é a cama.
Café e bebidas alcoólicas devem parar algumas horas antes de dormir.
A luz faz diferença: escuro, por favor. Escuridão mesmo. Apague essa luz.
Caminha quente? Nada disso. Temperatura normal, até com um pouquinho de frio.
Cama grande e confortável, nada de cama estreita.
O travesseiro é indispensável. Pesquise e encontre um que vai bem com você., Trabalho, laptop, computador? Longe do quarto, por favor.
Não se esqueça que a música tranquila e sons agradáveis ajudam. Esqueça os bate-estacas/.
E durma melhor hoje à noite!

Quantos adolescentes bebem para ficar de porre?
dezembro 31, 2009
A última pesquisa entre adolescentes feita pelo The National Center on Addiction and Substance Abuse (CASA*) na Columbia University revelou que um entre cada três jovens (de 12 a 17) afirmou já ter bebido e um em cada quatro afirmou tê-lo feito no último mês. Dos que já haviam bebido, 17% afirmaram que bebiam para ficar de porre. Felizmente, a maioria (68%) não tinha esse objetivo.Por que felizmente?
Porque muitos estudos mostram que beber até ficar bêbado é um comportamento relacionado à violência, aumentando o risco de ter (e usar) armas de fogo, de acidentes, letais e não letais, de homicídios e de suicídios.
O exemplo conta: os que viram pai e/ou mãe bêbados tinham o dobro do risco de terem estado bêbados.
Paradas cardíacas e estilos de vida
dezembro 22, 2009
Foi preciso que uma atriz linda e razoavelmente famosa morresse para que a mídia se lembrasse de que muitos jovens morrem de parada cardíaca. Ela morreu aos 32.
Paradas cardíacas súbitas matam perto de 400 mil ao ano somente nos Estados Unidos; destes, 4 mil são jovens.
Está ficando pior: CDC informa que houve um aumento de dez por cento numa década (1986 a 1996) em pessoas com idade de 15 a 35, mas o aumento em mulheres jovens foi de trinta por cento.
As paradas cardíacas súbitas em pessoas jovens usualmente têm causas genéticas. As arritmias genéticas com freqüência não são adequadamente diagnosticadas entre os jovens. Uma fundação, a The Heart Rhythm Foundation afirma que muitas dessas vítimas tinham problemas cardíacos não diagnosticados. Não sabiam que tinham. As paradas cardíacas deixam pouco tempo para ações salvadoras. Existe um aparelho chamado de desfibrilador que dá um choque na vítima e, com alta freqüência, a salva, mas tem que usado poucos minutos depois do ataque. Mais do que seis minutos levam a dano cerebral permanente; poucos escapam com vida depois de dez minutos.
O coração tem um ritmo normal, chamado de normal sinus, e o desfibrilador faz com que o coração volte a bater normalmente. Os problemas de fibrilação são chamados sinteticamente de A-fib. É algo que conheço bem pois sofro deste mal há mais de duas décadas. Recentemente fiz uma ablação cardíaca exitosa para corrigir um outro problema, chamado de A-flutter. Depois da ablação, há seis meses, o A-flutter não apareceu mais e o A-fib melhorou. Estilos de vida influenciam o risco de várias doenças, inclusive a parada cardíaca, entre eles o uso de drogas e traumas. A aterosclerose em duas artérias coronárias ou mais está presente em noventa por cento das pessoas que sofrem de parada cardíaca. Comer muito e mal aumenta, e muito, o risco de parada cardíaca. O exercício regular e orientado reduz o risco. Assim, a parada cardíaca está associada com o estilo de vida da pessoa, como tantas outras doenças do aparelho cardio-circulatório.
Enfrentando a insônia
dezembro 19, 2009
Tratando a insônia sem remédios
É possível tratar a insônia sem tomar remédios. Para começar, temos que mudar os hábitos.
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Eliminar os maus hábitos relacionados com o sono e o dormir é o primeiro passo.
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Usar a meditação e outros tipos de relaxamento é o segundo.
A insônia obedece também ao que acontece durante o dia. Os pesquisadores descobriram que a insônia não é um problema que se limita ao sono e à noite, mas é um problema do dia inteiro. O problema é ficar aceso o tempo inteiro – super aceso! Quem controla o excesso de atividades e de preocupações durante o dia, dorme melhor à noite. A pesquisa demonstrou que quem usa técnicas de relaxamento durante o dia dorme melhor à noite. Porém, falemos sério: não se trata de fazer um pouquinho de relaxamento, mas de fazê-lo em sério, 2-3 vezes por dia, 20 minutos de cada vez. Não pense que é perda de tempo: quem o faz recupera tudo e muito mais com um aumento da concentração e da produtividade. Ramadevi Gourineni, diretor do programa de pesquisas sobre insônia no Northwestern Memorial Hospital, deixou claro que quem pratica alguma forma séria de relaxamento durante o dia (yoga, meditação transcendental, relaxamento muscular, oração e muitas outras) dorme melhor, mais rápida e profundamente durante a noite.
A pesquisa foi de Fase I-II: apenas onze pacientes com insônia séria; alguns foram treinados em kriya yoga (focaliza para dentro da pessoa) e o outro recebeu uma informação médica geral. Todos mantiveram um diário onde anotavam tudo sobre o sono na noite anterior.
Depois de dois meses (não é de um dia para o outro), ficou claro que o grupo que fazia meditação melhorava a qualidade e aumentava a quantidade do sono. Levavam menos tempo para dormir (um importante indicador da qualidade do sono), aumentaram menos vezes durante a noite e tinham um número menor de sintomas de depressão.
Numa segunda pesquisa, com 115 pacientes, foi utilizada uma terapia que, a julgar pelos resultados de pesquisas sérias, se aplica a vários distúrbios e problemas mentais, a terapia cognitivo-comportamental, em uma forma que se dirige especificamente à insônia, a (CBT-I). É um procedimento mais complexos que visa corrigir a maneira de pensar. A (CBT-I) avalia o que o paciente pensa e sabe sobre o sono, assim como seus hábitos e atitudes, mantendo a proposta de que o que acontece à noite depende em boa parte do que acontece durante todo o dia. Entre 50% e 60% dos que tinham dificuldade em dormir, em ficar dormindo (e não acordar no meio da noite), ou os dois, experimentaram melhorias consideráveis. Talvez mais importante: os que completaram cinco sessões de CBT-I ou mais reduziram seu consumo de remédios para dormir.
Câncer e suicidio
dezembro 15, 2009
Todo cuidado é pouco. O diagnóstico de câncer da próstata pode aumentar o risco de suicídio. Esse tipo de pesquisa só poderia ser feito num país com um sistema estatístico que permitisse juntar num só banco de dados os pacientes diagnosticados, subdivididos pela agressividade do câncer, dados sobre a população geral e dados sobre os suicídios. Foi feita na Suécia, um país com excelentes estatísticas. Foi feito pelos Department of Urology, University Hospital, em Uppsala, e o Department of Clinical Cancer Epidemiology, Karolinska Institute, em Estocolmo. O risco de suicídio é mais alto em pacientes com câncer do que em populações semelhantes, mas sem câncer. Essa generalização se aplica aos pacientes de câncer da próstata.
Porém, os pacientes de câncer da próstata não são todos iguais. Há pacientes com cânceres lentos que, talvez, não precisem qualquer tratamento, nada além de um acompanhamento para garantir que o câncer continua lento, e há pacientes com cânceres mais agressivos que são uma ameaça real à vida.
Pesquisadores na Suécia dispõem de um data base sobre câncer de próstata, o PCBaSe. Quem foi diagnosticado está nele. Os pesquisadores tomaram os cânceres diagnosticados de 1º de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2006. Excluíram as mulheres e controlaram por idade. Houve 128 suicídios nos mais de 77 mil casos de CPa (câncer da próstata). O número esperado, com base na população semelhante quanto ao gênero e idade, mas sem câncer, seria 85. Os homens com cânceres menos agressivos tinham a mesma taxa que os homens sem câncer, mas os homens com cânceres localizados, mas agressivos, e os com metástase distante tinham um risco de suicídio que era mais do dobro do risco da população controle. Não foram controladas a comorbidade e as doenças mentais pré-existentes.
A política oficial e não oficial seguida pelos médicos varia de país para país. Nos Estados Unidos a lei define que o paciente tem o direito de saber; no Brasil são freqüentes os casos em que a família e o médico entram em conluio para não dar essa informação ao paciente, achando que o ele “não deve” saber. É uma postura extremamente autoritária da sociedade. Onde há uma política dos direitos dos pacientes, que inclui o direito de saber, o médico que não transmitir a informação ao seu dispor ao paciente poderá ser processado, tanto criminalmente, quanto civilmente.
Eu cresci achando que câncer era uma sentença de morte, usualmente em pouco tempo. Era uma crença estatisticamente furada naquele tempo e, hoje, é mais furada ainda porque as taxas de sobrevivência aumentaram em dois sentidos – maior percentagem de pessoas sobrevive e acaba morrendo de outras causas e, entre os que morrem daquele câncer, o tempo até a morte aumentou muito.
Esses dados devem ser explicados ao paciente desde o inicio. Meu cirurgião/urólogo achava pouco provável que eu morresse daquele câncer, mas acrescentou que, se acontecesse, seria depois de muitos anos. A perspectiva de viver muitos anos ainda e a fé na ciência reduzem o pânico provocado pelo diagnóstico.
Escrito por Bill-Axelson A, Garmo H, Lambe M, Bratt O, Adolfsson J, Nyberg U, Steineck G, Stattin P. e publicado em Eur Urol. 2009 Nov 10.

Câncer e suicidio
dezembro 15, 2009
Todo cuidado é pouco. O diagnóstico de câncer da próstata pode aumentar o risco de suicídio. Esse tipo de pesquisa só poderia ser feito num país com um sistema estatístico que permitisse juntar num só banco de dados os pacientes diagnosticados, subdivididos pela agressividade do câncer, dados sobre a população geral e dados sobre os suicídios. Foi feita na Suécia, um país com excelentes estatísticas. Foi feito pelos Department of Urology, University Hospital, em Uppsala, e o Department of Clinical Cancer Epidemiology, Karolinska Institute, em Estocolmo. O risco de suicídio é mais alto em pacientes com câncer do que em populações semelhantes, mas sem câncer. Essa generalização se aplica aos pacientes de câncer da próstata.
Porém, os pacientes de câncer da próstata não são todos iguais. Há pacientes com cânceres lentos que, talvez, não precisem qualquer tratamento, nada além de um acompanhamento para garantir que o câncer continua lento, e há pacientes com cânceres mais agressivos que são uma ameaça real à vida.
Pesquisadores na Suécia dispõem de um data base sobre câncer de próstata, o PCBaSe. Quem foi diagnosticado está nele. Os pesquisadores tomaram os cânceres diagnosticados de 1º de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2006. Excluíram as mulheres e controlaram por idade. Houve 128 suicídios nos mais de 77 mil casos de CPa (câncer da próstata). O número esperado, com base na população semelhante quanto ao gênero e idade, mas sem câncer, seria 85. Os homens com cânceres menos agressivos tinham a mesma taxa que os homens sem câncer, mas os homens com cânceres localizados, mas agressivos, e os com metástase distante tinham um risco de suicídio que era mais do dobro do risco da população controle. Não foram controladas a comorbidade e as doenças mentais pré-existentes.
A política oficial e não oficial seguida pelos médicos varia de país para país. Nos Estados Unidos a lei define que o paciente tem o direito de saber; no Brasil são freqüentes os casos em que a família e o médico entram em conluio para não dar essa informação ao paciente, achando que o ele “não deve” saber. É uma postura extremamente autoritária da sociedade. Onde há uma política dos direitos dos pacientes, que inclui o direito de saber, o médico que não transmitir a informação ao seu dispor ao paciente poderá ser processado, tanto criminalmente, quanto civilmente.
Eu cresci achando que câncer era uma sentença de morte, usualmente em pouco tempo. Era uma crença estatisticamente furada naquele tempo e, hoje, é mais furada ainda porque as taxas de sobrevivência aumentaram em dois sentidos – maior percentagem de pessoas sobrevive e acaba morrendo de outras causas e, entre os que morrem daquele câncer, o tempo até a morte aumentou muito.
Esses dados devem ser explicados ao paciente desde o inicio. Meu cirurgião/urólogo achava pouco provável que eu morresse daquele câncer, mas acrescentou que, se acontecesse, seria depois de muitos anos. A perspectiva de viver muitos anos ainda e a fé na ciência reduzem o pânico provocado pelo diagnóstico.
Escrito por Bill-Axelson A, Garmo H, Lambe M, Bratt O, Adolfsson J, Nyberg U, Steineck G, Stattin P. e publicado em Eur Urol. 2009 Nov 10.

Câncer e suicidio
dezembro 15, 2009
Todo cuidado é pouco. O diagnóstico de câncer da próstata pode aumentar o risco de suicídio. Esse tipo de pesquisa só poderia ser feito num país com um sistema estatístico que permitisse juntar num só banco de dados os pacientes diagnosticados, subdivididos pela agressividade do câncer, dados sobre a população geral e dados sobre os suicídios. Foi feita na Suécia, um país com excelentes estatísticas. Foi feito pelos Department of Urology, University Hospital, em Uppsala, e o Department of Clinical Cancer Epidemiology, Karolinska Institute, em Estocolmo. O risco de suicídio é mais alto em pacientes com câncer do que em populações semelhantes, mas sem câncer. Essa generalização se aplica aos pacientes de câncer da próstata.
Porém, os pacientes de câncer da próstata não são todos iguais. Há pacientes com cânceres lentos que, talvez, não precisem qualquer tratamento, nada além de um acompanhamento para garantir que o câncer continua lento, e há pacientes com cânceres mais agressivos que são uma ameaça real à vida.
Pesquisadores na Suécia dispõem de um data base sobre câncer de próstata, o PCBaSe. Quem foi diagnosticado está nele. Os pesquisadores tomaram os cânceres diagnosticados de 1º de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2006. Excluíram as mulheres e controlaram por idade. Houve 128 suicídios nos mais de 77 mil casos de CPa (câncer da próstata). O número esperado, com base na população semelhante quanto ao gênero e idade, mas sem câncer, seria 85. Os homens com cânceres menos agressivos tinham a mesma taxa que os homens sem câncer, mas os homens com cânceres localizados, mas agressivos, e os com metástase distante tinham um risco de suicídio que era mais do dobro do risco da população controle. Não foram controladas a comorbidade e as doenças mentais pré-existentes.
A política oficial e não oficial seguida pelos médicos varia de país para país. Nos Estados Unidos a lei define que o paciente tem o direito de saber; no Brasil são freqüentes os casos em que a família e o médico entram em conluio para não dar essa informação ao paciente, achando que o ele “não deve” saber. É uma postura extremamente autoritária da sociedade. Onde há uma política dos direitos dos pacientes, que inclui o direito de saber, o médico que não transmitir a informação ao seu dispor ao paciente poderá ser processado, tanto criminalmente, quanto civilmente.
Eu cresci achando que câncer era uma sentença de morte, usualmente em pouco tempo. Era uma crença estatisticamente furada naquele tempo e, hoje, é mais furada ainda porque as taxas de sobrevivência aumentaram em dois sentidos – maior percentagem de pessoas sobrevive e acaba morrendo de outras causas e, entre os que morrem daquele câncer, o tempo até a morte aumentou muito.
Esses dados devem ser explicados ao paciente desde o inicio. Meu cirurgião/urólogo achava pouco provável que eu morresse daquele câncer, mas acrescentou que, se acontecesse, seria depois de muitos anos. A perspectiva de viver muitos anos ainda e a fé na ciência reduzem o pânico provocado pelo diagnóstico.
Escrito por Bill-Axelson A, Garmo H, Lambe M, Bratt O, Adolfsson J, Nyberg U, Steineck G, Stattin P. e publicado em Eur Urol. 2009 Nov 10.


