Divórcios e separações contribuem para os suicídios
Novembro 9, 2009
Mais uma pesquisa, desta vez na província de Ontário, no Canadá, corrobora a afirmação de que os divórcios e as separações aumentam o risco de suicídio. O professor de Sociologia Desmond Ellis confirma, com sua pesquisa, que separações e divórcios trazem consequências penosas para muitos, algumas das quais podem levar ao suicídio. Na minha hipótese, há uma escala que vai desde um relacionamento intenso e amoroso até o divórcio, passando pelo distanciamento dentro do próprio casamento ou relação. No fundo, o estresse, a dor e a frustração, que podem começar ainda dentro do casamento, aumentam o risco de suicídio. Ellis analisou mais de mil casos de suicídio ocorridos em 2006. Os resultados mostraram que as pessoas separadas e divorciadas representavam 10% da população acima de 15 anos de idade e 25% dos suicídios. Os casados representavam 49% da população, mas apenas 30% dos suicidas. Já os solteiros representavam 30% dessa população e 36% dos suicídios.
Confirmando a conhecida diferença na propensão ao suicídio, os homens representavam 3/4 dos suicidas. Entre os separados e divorciados, 81% dos suicidas eram homens.
Confirmando, também, a inversão dos risco por gênero no caso das tentativas que não terminaram em suicídio, ou parasuicídios, de cada quatro tentativas, três foram feitas por mulheres.
Ellis propõe que é possível baixar as taxas masculinas. Entre as técnicas usadas estão as que baseadas na resocialização por gênero – mudar as atitudes em relação a comportamentos de risco (considerados apropriadamente masculinos), inclusive o próprio suicídio (convencê-los de que não é “solução de homem”) e convencê-los de que terapia faz bem e não é coisa de mulher.
Quando fazer isso? Aproveitando os avisos dados, que representam momentos propícios à intervenção: o julgamento do divórcio, visitas feitas aos médicos de confiança, ou a conselheiros, inclusive pessoas da família etc. Transformar separações e divórcios de processos conflitivos em processos colaborativos pode, também, salvar vidas.

O Efeito da Qualidade da Vida sobre a sobrevivência
Setembro 26, 2009
Um novo conceito entrou na análise da sobrevivência do câncer da próstata, o Health-related quality of life (HRQOL). Inicialmente, foi usado apenas para avaliar os tratamentos e seus efeitos colaterais. Posteriormente, surgiu a pergunta: a qualidade da vida relacionada ao tratamento, a HRQOL, afeta a sobrevivência? Com a ênfase crescente, ainda que minoritária, em fatores psicológicos e espirituais (ainda que minoritária) cresceu a pergunta: a qualidade da vida durante e depois do tratamento afeta a sobrevivência? Os pesquisadores usaram a base de dados do CaPSURE (Cancer of the Prostate Strategic Urologic Research Endeavor), usando os pacientes quer proporcionaram informação sobre o HRQOL. Dividiram os pacientes de acordo com o HRQOL: os dez por cento piores e os demais.
O objetivo era ver se havia uma associação entre uma qualidade de vida relacionada ao câncer e ao tratamento e a sobrevivência geral, de todas as causas. Controlaram a idade dos pacientes no momento do diagnóstico, o tratamento recebido, a classificação clínica da doença e o número de co-morbidades – de outras doenças. Para entender essa varuável: alguém com hipertensão receberia um valor de 1, alguém que, além da hipertensão, tivesse diabete, receberia 2 e assim por diante. Medida elementar, que poderá ser muito melhorada, mas válida. Níveis mais elevados de funções físicas e a saúde em geral tinham uma sobrevivência melhor (HR 0,49 e 0,51, respectivamente). Levando o tempo transcorrido em consideração (depois do tratamento)os integrantes da qualidade da vida tinham um risco de morte consideravelmente menor. Dependendo do tipo de função, o HR variava entre 0,57 e 0,65). Olhando para as mudanças no HRQOL, manter ou aumentar as funções físicas e seus papéis e atividades, a vitalidade e as funções sociais (quem se fecha no quarto dura muito menos) e a saúde em geral, em outras áreas, reduzia o risco relativo de morte, o HR variando de 0,56 a 0,63. A lição é clara: não basta tratar o câncer – é preciso tratar o paciente (o que inclui outras doenças e a qualidade da vida). Assim tratados, os pacientes vivem mais e melhor.

Ondas de suicídio em instituições
Setembro 24, 2009
Quando analisamos países, estados e regiões metropolitanas, os suicídios seguem fielmente a Lei dos grandes números: sendo fenômenos estáveis, ano trás ano as taxas são relativamente estáveis, aumentam um pouco, descem um pouco. Em ambientes limitados, não obstante, há redes de informação e de influência e alguns eventos podem provocar alterações significativas nas taxas. Isso significa que dentro de instituições podem acontecer ondas de suicídio. A empresa France Telecom enfrenta esse problema.
A empresa responderá com câmaras de televisão (circuito interno) e aconselhamento psicológico. Desde o início de 2008, houve 22 suicídios e 13 tentativas.
O homem forte da instituição, Didier Lombard, fez do controle dos suicídios uma das prioridades da empresa.
A empresa era, talvez, típica das estatais francesas, com muitas proteções e privilégios para seus funcionários. Em diversos países da Europa havia empresas assim (como há no Brasil): seus funcionários tinham garantias e privilégios que o resto da cidadania não tinha. Esses benefícios não saem de graça: lembro-me de uma propaganda da United Airlines que li em 1989: comparava o custo do passageiro/milha que ela transportava com o de várias européias, quase todas estatais ou protegidas pelo estado. O custo do passageiro/milha da United era a metade. Podendo oferecer lugares por preços muito menores, as empresas americanas foram “barradas” do mercado europeu que restringia o transporte dentro da Europa. Os passageiros não gostavam de pagar mais e quando houve uma reestruturação da economia mundial várias empresas estatais e não estatais européias de transportes aéreos foram à falência. Depois de 11/09/2001 o fenômeno se generalizou.
O choque provocado pela abertura dos mercados não afetou, apenas, as empresas aéreas. Outras áreas foram abertas à competição e empresas que protegiam (em excesso, segundo os críticos) seus trabalhadores tiveram que cortar benefícios para enfrentar a competição. Segundo seu sindicato, foi o que aconteceu com a France Telecom e é o que explica a “onda” de suicídios. Note-se que, com 100 mil empregados, as taxas não são altas se comparadas com as das populações nacionais de países europeus. O problema reside em que elas eram mais baixas e aumentaram. Há, portanto, uma onda de suicídios naquela instituição.
A depressão piora o câncer
Setembro 21, 2009
Uma pesquisa recente da University of British Columbia, demonstra que a depressão aumenta algo o risco de morte dos cancerosos. Entre os que apresentam sintomas, as taxas são 25% mais altas e entre pacientes clinicamente diagnosticados com depressão as taxas são 40% mais altas. Parece muito, mas há outros fatores que também contribuem para prejudicar os pacientes. Os resultados dessa pesquisa foram publicados na revista Cancer.
Admito que tive um pequeno sobressalto ao decidir publicar esses resultados. Há quem possa ficar preocupado com estar deprimido e entrar em depressão. Porém, ter sintomas de depressão é comum, até esperado entre pacientes de câncer. O que não é comum é a conscientização de que a depressão é uma doença em si, de direito próprio, que precisar ser tratada. Uma das autoras da pesquisa, Jillian Satin, se preocupou especificamente com esse conhecimento, com a possibilidade de que alguns pacientes entrassem em órbita ao ver que tinham sintomas de depressão. Mas não há necessidade disso: a depressão é tratável e curável. Os pacientes devem conversar com seus médicos ou diretamente com um psiquiatra. Há médicos pré-diluvianos que não “acreditam” em depressão, estresse, “essas coisas”.
Por onde passa essa relação entre depressão e qualidade da resposta ao câncer? Há muita pesquisa que liga o estresse ao aparecimento e ao crescimento de tumores e de cânceres. O estresse mexe com o sistema hormonal e prejudica o sistema imune. Há possibilidade de endogenia, de que as pessoas deprimidas ano se tratem bem, não tomem os remédios etc. Não seria uma resposta à depressão, mas ao descuido causado por ela, inclusive abandonando todo e qualquer tratamento.
É preciso pesquisar mais. Que tipos de câncer são mais afetados pela depressão? Não sabemos.
Câncer e depressão podem interferir com a vida do paciente, fazendo-o perder ou ser prejudicado no trabalho, afastando amigos e familiares, criando dificuldades adicionais no dia a dia.
Sabemos que uma atitude positiva ajuda – aumenta as células T, os macrófagos e as defesas em geral. Se ficar deprimido com o câncer (eu fiquei) vá se tratar da depressão também. Funciona.
Bares e suicídios
Setembro 21, 2009
Mais uma pesquisa, desta vez na Inglaterra, mostra a relação entre alcoolismo e suicídio. Nas comunidades rurais inglesas, a taxa de suicídios está vinculada ao número de bares e pubs na área. Os pesquisadores sugerem que o fechamento dos bares reduziria os suicídios; limitações no horário e na ingestão de álcool também produzem efeitos, a primeira medida, mais radical, mais do que a segunda.
Outra pesquisa, feita na Califórnia, demonstrou que mais de vinte por cento dos suicídios estavam ligados ao alcoolismo. Tantos os suicídios quanto as tentativas eram mais freqüentes em áreas rurais com alta densidade de bares e outros estabelecimentos de venda de bebidas alcoólicas.
É mais um argumento empírico que apóia a Lei Seca.
Como evitar gripes e resfriados, inclusive a gripe suína?
Setembro 17, 2009
Para participar da campanha cívica contra a gripe suína (sobredimensionada, sim, mas já matou perto de mil brasileiros), aqui vão umas recomendações retiradas da literatura genérica para evitar gripes comuns e também da mais específica para evitar a gripe suína.
· Treinar crianças e adultos para que lavem as mãos não é fácil. O ato é tão banal que poucos o julgam relevante. E não é, apenas, “passar uma água”. É preciso esfregar para valer com sabão ou sabonete – decidindo se quer usar ou não um bactericida.
· Quando? Quantas vezes? Antes de comer ou de preparar a comida, antes de tocar ou carregar um bebê, depois de ir ao banheiro, depois de brincar com um animal (inclusive seu gato ou cachorro de estimação), depois de tossir ou espirrar, de pegar em dinheiro, lavar inclusive em baixo das unhas e não esquecer os pulsos.
· E se não houver pia ou água? Use álcool gel, Lembre: gel porque o álcool liquido causa muitos acidentes e queimaduras graves, às vezes desfigurantes.
· A vacina contra a gripe comum funciona. Reduz, e muito, o risco. Temos que revacinar cada ano porque os bichos são mutáveis e a vacina do ano passado não protege contra as novas formas. A vacina contra a gripe suína está sendo testada e parece dar bons resultados.
· E se nós estivermos doentes (com ou sem certeza)? Não passe para outros. Quando tossir ou espirrar cubra a boca e o nariz com um lenço, de papel preferivelmente e o jogue no lixo depois. E se não houver lenço? Dobre o braço e tussa/espirre no próprio braço ou ombro. O importante é evitar disseminar os bichos no ar. É o que sugere a American Academy of Pediatrics. E não fique muito perto de gente doente, mesmo amigos e parentes, que estejam tossindo e espirrando.
· Se seus filhos estiverem gripados, não os mande à escola. Evite que seu filho passe a gripe para outras crianças.\
· Há hábitos que facilitam a contaminação: meter os dedos na boca ou nos olhos. Roer as unhas. Meter o dedo no nariz (já sabemos para quê!).
· Há coisas que não foram feitas para compartir: escovas de dentes, lenços, guardanapos, nem mesmo toalhas,, copos, garfos, facas etc.
· Sabe que é importante manter os pés quentes e secos? É sim. Um experimento mostrou que deixá-los frios e molhados contribui para gripar 10% das pessoas saudáveis.
· Comer e dormir bem, em horários regulares, e fazer exercícios elevam as defesas do nosso corpo. Ajudam contra a gripe, os resfriados, e muitas outras doenças.

Tratar formas menos agressivas do câncer da próstata, hoje, produz melhores resultados do que no passado
Setembro 16, 2009
Tratar de maneira conservadora formas menos agressivas do câncer da próstata, hoje, produz melhores resultados do que no passado. É o que concluem pesquisadores que compararam os tratamentos deste tipo antes e depois de 1990. Dez anos depois do diagnóstico, a mortalidade específica do câncer foi 74% menor dos cânceres diagnosticados entre 1992 e 2002 do que nos diagnosticados antes desse período. Todos esses cânceres foram tratados de forma conservadora, não invasiva.
Por quê?
Há muitas sugestões. Os cânceres estão sendo diagnosticados antes, graças ao PSA e à crescente conscientização. Há mais cânceres “insignificantes” diagnosticados agora do que antes – cânceres que não matam em dez, quinze e mais anos. E o tratamento melhorou, progrediu, mesmo os não invasivos. Hoje em dia, pacientes com cânceres localizados (que não metastizaram, ou ainda não metastizaram) recebem tratamento melhor do que antes. Por isso não morrem do câncer e acabam morrendo de outras causas. Pacientes com Gleason baixo (cânceres cujas células são bem diferenciadas) e até pacientes cujas células cancerosas são menos diferenciadas (Gleason mais alto do que o anterior) estão vivendo mais tempo e morrendo menos do câncer.
Os autores concluem que pacientes idosos com Gleason baixo ou intermediário teriam uma alta probabilidade de não morrer do câncer no prazo de dez anos. Se a expectativa de vida for menor do que isso, um tratamento invasivo, com pesados efeitos colaterais, não faz sentido.
Perto de 85% dos cânceres estão confinados à próstata. Homens com menos de 65 anos têm vantagens de sobrevivência se adotarem terapias com intenção curativa (prostatectomia, radiação e braquiterapia). Segundo os autores tal não é o caso de pacientes bem mais idosos. Não obstante, a agressividade e a contenção do câncer ao órgão são muito importantes. Nos Estados Unidos, 17% dos homens são diagnosticados com esse câncer todos os anos e 3% morrem dele – um em seis. A sobrevivência é mais baixa nos países menos desenvolvidos.
Os pesquisadores analisaram os dados de seguradoras (Medicare, em certo sentido equivalente ao SUS) e outros arquivos. Verificaram que havia quase 15 mil homens com mais de 65 anos com cânceres localizados (T1-T2) diagnosticados entre 1992 e 2002, que foram acompanhados durante, pelo menos, um ano. Com outros arquivos verificaram a sobrevivência geral até o fim de 2007 e a sobrevivência específica até o fim de 2005.
A mediana da idade dos pacientes era 78 no momento do diagnóstico e foram acompanhados por uma mediana de 8,3 anos. Mais de dez mil tinham 75 ou mais. Nada menos de ¾ tinham Gleasons de 5 a 7 e em 31% dos casos o câncer estava visível em um dos recursos visuais usados (cintilo etc.). Em nada menos de 42% o toque retal indicou o câncer. Em 70% não havia outras doenças importantes. Os resultados de períodos anteriores, necessários para a comparação, foram retirados de artigos publicados.
Quantos morreram? Nos dez primeiros anos, 15 dos 222 pacientes com cânceres pouco agressivos morreram do câncer (7%). Para eles teria sido aconselhável um tratamento invasivo. Porém, nada menos de 133 (60%) morreram de outras causas – a grande maioria dos que morreram. Morreram com o câncer, mas não dele. No caso de pacientes com cânceres intermediários, 642 de quase onze mil pacientes morreram do câncer, praticamente a mesma percentagem dos cânceres menos agressivos e outros 46% morreram de outras causas. No caso dos cânceres com células pouco diferenciadas, mais agressivas, a diferença de ter um Gleason alto se faz sentir: 21% morreram do câncer. Mesmo assim, metade do total de pacientes morreu de outras causas, 238% os que morreram do câncer. Muito mais. Os dados calculados pelos autores nos dão 8,3%, 9,1% e 25,6% mortos pelo câncer no prazo de dez anos.
Isso não significa que os pacientes não receberam qualquer tratamento!!!!! Significa, apenas, que não foram submetidos a tratamentos agressivos, invasivos desde o início.
E o contraste, as diferenças?
No grupo recente o risco de morte em dez anos foi de 6%. Já entre os cânceres diagnosticados há mais tempo (de 1949 a 1992) os estudos publicados mostram mortalidade específica de 15% a 23% para os cânceres moderadamente diferenciados no prazo de dez anos. Segundo os autores, houve uma redução de 60% a 74% nesse tipo de mortalidade. Os autores também mostram maior sobrevivência em pacientes mais idosos e com cânceres agressivos, a despeito do tratamento inicial ser conservador.
O início de uma pesquisa sobre depressão
Setembro 15, 2009
Há uma nova pesquisa sobre depressão sendo iniciada. Buscam pacientes. A Depression Research Study (Encino) busca pessoas que:
- não curtem atividades, fazer coisas que antes curtiam
- se sentem sem esperança em relação ao futuro
- se sentem desanimadas e tristes
- sofrem com uma fadiga que não vai embora
- e pessoas cujo apetite mudou claramente, para mais ou para menos.

O início de uma pesquisa sobre depressão
Setembro 15, 2009
Há uma nova pesquisa sobre depressão sendo inicida. Buscam pacientes. A Depression Research Study (Encino) busca pessoas que:
- não curtem atividades, fazer coisas que antes curtiam
- se sentem sem esperança em relação ao futuro
- se sentem desanimadas e tristes
- sofrem com uma fadiga que não vai embora
- e pessoas cujo apetite mudou claramente, para mais ou para menos.
Esses são sintomas comuns de depressão (e de muitas outras coisas também, daí ser necessário um diagnóstico clínico sério para definir ue alguém sofre de depressão.

Depressão e suicidio por Roger Ancillotti
Setembro 14, 2009
Morreremos de medo?
Em tempos de gripe e violência, o Brasil se depara com notícias profetizando pandemias de depressão e medo.Então, recordo-me do poeta Carlos Drummond de Andrade em seu Congresso Internacional do Medo:
“Provisoriamente não cantaremos o amor,
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.”
Em duas décadas a depressão deverá ser o maior problema de saúde pública no mundo. Estudo publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1º de setembro, aponta que a doença afetará mais pessoas que qualquer outra, incluindo o câncer. O problema também afetará os governos, que deverão arcar com os custos de tratamento da população.
A “epidemia silenciosa”, como chama Shekhar Saxena, do Departamento de Saúde Mental da OMS, deve afetar mais os países pobres, onde são registrados mais diagnósticos. O médico acredita que a depressão é como qualquer outra doença e que a população tem direito de ser tratada e aconselhada sobre formas de se curar. No mundo, 450 milhões de pessoas sofrem de alguma espécie de distúrbio mental.
Estresse, medo e depressão estão intimamente interligados. A exposição a fatores estressantes tem papel importante no desenvolvimento de transtornos depressivos. Os mecanismos envolvidos nesta relação, no entanto, ainda são pouco conhecidos.
Mas, o que é o estresse? O termo estresse, tomado de empréstimo da física, foi empregado em 1936 pela primeira vez por Hans Selye para descrever uma ameaça real ou potencial à homeostasia, que seria o equilíbrio dinâmico do funcionamento físico e/ou mental. O estresse e a depressão são dois desequilíbrios emocionais que se transformam em doença com muita facilidade, quando não tratados em tempo. Existem fatores que podem contribuir para o estresse como barulho, poluição, locais muito quentes, muito frios, falta de espaço, violência.
A má alimentação, o comer rapidamente entre ou durante as atividades, a falta de exercícios e o sedentarismo também são fortes candidatos ao estresse, além da ingestão excessiva de medicamentos, a automedicação, o uso de drogas, álcool e cigarro.
O estresse não acontece somente por motivos de excesso de trabalho, mas também pela insatisfação e pela falta de prazer naquilo que se faz. Já a depressão manifesta-se por medo aguçado, tristeza, cansaço, perda da apetite, baixa auto estima, ansiedade, agressividade etc.Pode ser associada ao pânico, provocando taquicardia, tremores e náuseas.
Vimos hoje professores ensinando em áreas de risco, conflagradas, onde às vezes o único sinal do estado é a surrada escola pública, onde as crianças têm o primeiro contato com a cidadania. Estas comunidades são visitadas, muito frequentemente, por outra presença estadual que são as forças de segurança, e neste dia, a escola não funciona.Os professores que já estão na mesma, lá se abrigam entre tiros.Haja medo!
As companhias que prestam serviços de eletricidade, gás, luz, mesmo escoltadas pela polícia, são rechaçadas à bala. Haja estresse! Questionam os governantes o porquê de tantos afastamentos por problemas psicossomáticos.
Da mesma forma que professores e médicos, os policiais também têm medo, estresse e depressão. A Infortunística, ciência que estuda as doenças do trabalho, nos ensina sobre o risco profissional, que pode ser genérico – incide sobre todas as pessoas, independentes das suas ocupações, por exemplo, um acidente no percurso de ida e volta ao trabalho -, específico – depende da natureza da função e da natureza do trabalho como os operadores de máquina – e genérico agravado – é a condição normal de trabalho agravada por um risco adicional externo, como o fato de ser médico em uma comunidade violenta. Haja depressão!
Sabe-se que a maioria dos casos de depressão ocorre em pessoas com menos de 45 anos de idade. Cerca de 50% dos casos de suicídio estão associados à depressão. Por motivos éticos óbvios as diversas mídias não costumam noticiar esta modalidade de morte.Como diria outro poeta, Chico Buarque, “a dor da gente não sai no jornal”…
